
O Governo do Estado de Santa Catarina e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) avançaram nas discussões sobre a duplicação da BR-282, principal ligação rodoviária entre o litoral e o oeste catarinense. Vista como estratégica para o estado, é uma das obras mais aguardadas da região, mais que ainda enfrenta entraves técnicos para sair do papel.
No dia 10 de Fevereiro de 2026, a temática voltou ao centro do debate durante a apresentação do projeto de duplicação da rodovia no município de Cordilheira Alta, Santa Catarina. O encontro reuniu autoridades locais, lideranças empresariais e representantes comunitários. O DNIT foi representado por Cláudio André Neves, atual chefe de Serviço da Unidade Local de Chapecó, responsável por apresentar e detalhar os aspectos técnicos da proposta de projeto levantada pelo departamento.
Também marcaram presença na ocasião, os representantes da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Cordilheira Alta (ACIACA), da Associação Comercial, Industrial e Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC) e do Centro Empresarial de Chapecó (CEC). Reforçando o interesse dos setores comercial, industrial e agropecuário na concretização da obra.
BR-282 é essencial na economia e turismo de Santa Catarina

A BR-282 exerce papel central na dinâmica econômica catarinense. A rodovia conecta Florianópolis ao município de Paraíso, no Extremo-Oeste, na fronteira com a Argentina, funcionando como um verdadeiro corredor logístico entre o interior produtor e os portos do litoral.
Além da relevância econômica, a rodovia também tem forte impacto no turismo. Utilizada por turistas brasileiros e argentinos que buscam as praias e atrações de Santa Catarina, a BR-282 é porta de entrada para milhares de viajantes todos os anos. Dados divulgados pela Gazeta do Povo indicam que, apenas nos primeiros oito meses de 2025, cerca de 385 mil argentinos visitaram o estado, representando 67,91% dos turistas estrangeiros no período, um número que evidencia o potencial turístico associado à melhoria da infraestrutura.
A duplicação da rodovia já vem sendo pontuada como uma das demandas mais latentes da região Oeste, reunindo apoio da população, de entidades empresariais e de lideranças políticas. No encontro realizado em Cordilheira Alta, os representantes das entidades locais pontuaram o quanto a obra pode resultar em melhorias na mobilidade, segurança e logística, destacando a importância de encontros regionais no avanço dos projetos para viabilização da futura alteração.
Em reportagem ao Diário do Iguaçu, o presidente da ACIACA, Fernandes Andretta, afirmou que o projeto contempla necessidades antigas do município. “Vai desafogar o trânsito, permitir melhor movimentação dentro do município e dar mais segurança para as travessias da BR”, destacou.
Projeto e Logística

Embora seja amplamente esperada, a duplicação da BR-282 ainda se encontra na fase de projetos executivos. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello propôs ao governo federal de Santa Catarina a estadualização da rodovia como uma possível alternativa. A proposta prevê que o Estado entre como responsável pela gestão da rodovia, com a correspondente transferência de recursos para futuras obras, manutenção e ampliando a autonomia para execução.
O DNIT informou que diversas frentes de trabalho seguem em andamento ao longo da rodovia, incluindo projetos específicos de melhorias, terceiras faixas e adequações em pontos críticos, além da elaboração dos projetos executivos.
O projeto de duplicação contempla aproximadamente 427,8 quilômetros entre Lages e São Miguel do Oeste. Apesar do avanço técnico, ainda não há previsão oficial para o início imediato das obras em todos os segmentos.
Enquanto isso, encontros regionais como o realizado em Cordilheira Alta reforçam a mobilização política e empresarial em torno do tema. A expectativa é de que, com a conclusão dos projetos e definição das responsabilidades administrativas, a duplicação da BR-282 finalmente avance do planejamento para a execução, atendendo a uma reivindicação histórica de Santa Catarina.